Você não é "demais": sobre a intensidade emocional
Talvez você já tenha ouvido que é "muito sensível", que "leva tudo para o lado pessoal" ou que "faz drama". Talvez tenha passado a vida tentando diminuir o volume do que sente para caber no que os outros esperam.
Se sentir com intensidade te fez, em algum momento, acreditar que existe algo errado com você, este texto é para você. A intensidade emocional não é um defeito de fábrica. É uma forma de funcionar que pode, sim, ser compreendida e cuidada.
O que é intensidade emocional
Intensidade emocional é sentir as emoções com mais força e por mais tempo do que a média das pessoas. A alegria é enorme; a dor, também. As emoções chegam rápido, ocupam muito espaço e demoram mais para baixar.
Isso não é o mesmo que "ser fraco" ou "não ter controle". É uma característica do temperamento que, em alguns casos, aparece junto de quadros como o Transtorno de Personalidade Borderline, mas que também existe em muita gente sem qualquer diagnóstico.
Por que dói tanto ouvir "você é demais"
Quando alguém diz que você "exagera", a mensagem que chega por dentro costuma ser outra: "o que eu sinto não é válido". Repetida ao longo dos anos, essa mensagem ensina a desconfiar das próprias emoções e a se calar.
No dia a dia, isso pode parecer com
- Uma crítica pequena no trabalho que ocupa a sua cabeça pelo resto do dia.
- Uma demora para responder mensagem que vira uma certeza de que a pessoa se afastou.
- Uma alegria tão grande por um plano que a frustração, se ele muda, parece desproporcional.
- Chorar e, logo depois, se sentir envergonhada por ter chorado.
O que fazer quando a emoção parece grande demais
Não existe um botão de desligar, e tudo bem. O objetivo não é sentir menos, e sim se relacionar de outro jeito com o que sente. Alguns caminhos que costumam ajudar:
- Nomear o que está sentindo. Dar nome à emoção ("estou com medo de ser rejeitada") já reduz um pouco da força dela.
- Ganhar tempo antes de reagir. Respirar, beber água, sair do ambiente por alguns minutos. A emoção intensa costuma baixar sozinha se não for alimentada de imediato.
- Checar os fatos. Perguntar-se "o que eu sei de verdade aqui?" ajuda a separar o que aconteceu do que a emoção está interpretando.
- Procurar apoio profissional. Uma psicoterapia com foco em regulação emocional oferece um espaço para entender esses padrões com mais cuidado.
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